Hoje acordei e o céu estava lilás, de um tom tão frio e medonho que só as pessoas com real sensibilidade conseguem admirar.
Que só pessoas sensíveis demais percebem que esse tom lilás vai te levar a nostalgia...
Contemplando o céu lindo me peguei nessa nostalgia.
Hoje tinha tudo para ser um dia perfeito, mas eu sabia que precisava parar. Parar, respirar, parar e proseguir; mas não sem antes parar de fingir que estava tudo bem.
Que saudades de todos que já se foram, saudades dos amigos que se perderam pelo destino, saudades dos amores que não vivi, saudades de me olhar no espelho e me ver como realmente sou.
Relendo cartas, revendo fotos, revirando meu passado, me torturando pra ver até onde aguento.
Gosto de sentir as lágrimas escorrendo em meu rosto e acho até que a depressão me cai bem... Na depressão consigo extrair o que tenho de mais profundo em mim, consigo ser eu mesma ser reservas e sem máscaras.
De repente a mulher durona se torna uma menina indefesa, sem recursos e sem artimanhas.
Nesses momentos, como eu desejo ter a oportunidade que perdi, o beijo que não quis e o abraço que eu recusei.
Como gostaria de ter sido mais verdadeira, mais simples. Como gostaria de ter mostrado minha fraqueza ao invés de mostrar que estava tudo bem, como gostaria de ter demonstrado que eu me importava ao invés de dizer foda-se.
Eu deveria ter me embriagado ao som de bossa nova ao invés de ter ignorado aquele sentimento.
Como me sinto idiota por ter sido incapaz de demonstrar meus momentos de fraqueza, por não ter vivido cada emoção no seu exato momento.
E hoje eu quero isso. Quero chorar até borrar a maquiagem, quero beber e escutar bossa nova, quero que me deixem quieta no meu canto, quero curtir a minha dor, quero sofrer até o amanhecer.
Amanhã eu vou acordar. Quero acordar com dor de cabeça, a boca amarga e me sentindo patética.
A patética mais linda do Universo.
E vou prometer viver todas as emoções, afinal se pra ser forte é preciso coragem, para ser fraca é preciso muito mais que coragem é preciso bravura e sensibilidade!
E nem sempre podemos contar com o lilás no céu...


