quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Ele bipolar, eu não pude ser pluri-amor.

O sorriso dele era lindo, me contagiava e fazia eu sorrir pelo simples fato de estar ao lado dele.

Ele sempre comentava nas minhas fotos: Minha menina linda! E isso me incentivava a tirar mais fotos, e me fazia sentir a mulher mais linda e amada na face da terra.

Nossas conversas eram intensas, assim como o sexo. Ninguém no mundo me entendia tão bem, ninguém no mundo gostava das mesmas coisas que eu como você. E isso me fazia entender porque entre milhões de sorrisos escolhi o seu.

Conversávamos sobre história mundial, assistíamos a séries, discutíamos sobre os quadrinhos de Neil Gaiman e Alan Moore, escutávamos Sex Pistols, Rolling Stones, transávamos a noite inteira e parávamos nus em frente à janela para fumar um cigarro e fazer inveja para vizinhança.

Você era minha inspiração na poesia e eu sua inspiração na música. Enquanto eu escrevia, tinha como fundo o som de seu baixo.

Os olhos dele eram apagados, sem vida e por vezes me senti um nada ao lado dele.

Ele sempre contestava minhas fotos, reclamava que eu fazia aquilo para irrita-lo, que onde já se viu uma foto ter mais de 50 likes, e a maioria de homens. E para não arrumar confusão eu apagava todas as minhas fotos e excluía meus amigos. 

Não tínhamos conversas, eram horas de silêncios interruptos, se eu chegasse perto eu estava querendo deixa-lo nervoso. E isso me fazia questionar o porquê eu ainda estava ali ao seu lado.

Nosso silêncio era eterno, e por vezes chegava a cortar a minha alma. Sim, era assim que me sentia, como se milhares de navalhas me cortassem por dentro. Nem os quadrinhos o animavam, era só uma história idiota criada por um louco que tomou ácido. Enquanto você ficava na sala mudo com seu charuto, eu me trancava no quarto ouvindo Smiths e REM, olhando pela janela com um copo de whisky na mão. 

E enquanto você surtava quebrando o velho baixo, minhas lágrimas molhavam as folhas e não me deixava escrever se quer uma frase inteira.

Nesse looping de emoções, nessa incerteza de ser amada, sem saber se eu era sua menina linda ou uma puta que gostava de se mostrar para outros homens, sai por aquela porta enquanto ouvia ele gritar: te amo sua cretina! 

Eu não pude perceber que naqueles momentos de raiva e introspecção você gritava por ajuda, eu não pude te amar quando você não merecia, mas era justamente nesse momento que você mais precisava.

Hoje, somos seres incompletos, por eu ser a mulher que amavas e não ter ficado ao seu lado, você acredita que ninguém irá aguentar suas crises. 

Eu por ser imensamente amada e desprezada pelo mesmo homem, acredito que todos são igualmente loucos. 

E ambos não dividimos nossas camas com mais ninguém que queira ficar, apenas com quem está de passagem.







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